Bitcoin é pirâmide ou bolha especulativa? Saiba mais!

Tempo de leitura: 7 minutos

Esta semana o Presidente do BACEN firmou que o Bitcoin é Pirâmide financeira e uma bolha especulativa. Estaria ele correto ou seria mais um ataque proposital dos Estados contra a ameaça das criptomoedas?

Analisemos as exatas palavras do Presidente do Bacen:

“O Bitcoin, é um ativo sem lastro e as pessoas compram porque acreditam que a moeda vai valorizar. Quanto mais percepção de que o ativo vai se valorizar, mais pessoas compram e mais o preço de fato sobe. Isso é a típica bolha ou pirâmide que existem na economia há centenas de anos.”

Podemos perceber que o Ilan afirma que o Bitcoin é um ativo sem lastro e as pessoas o compram apenas porque acreditam que ele se valorizará, por isso seria a típica pirâmide ou bolha.

A questão do lastro já desmistificamos em outras oportunidades. Todos sabem que a imensa maioria das moedas fiduciárias (FIAT) não possuem qualquer lastro, incluídas entre elas o Euro, o Dólar e o Real. Portanto, este não é o problema.

Quanto a ser uma bolha, essa é uma questão mais complexa, e pretendo analisá-la em outra oportunidade. Foquemos, por hora, na pergunta: O Bitcoin é pirâmide?

O que importa mesmo é saber se o Bitcoin é Pirâmide.

O Bitcoin é Pirâmide?

Iniciemos com uma boa definição de pirâmide ou Esquema Ponzi:

“Um esquema Ponzi é uma sofisticada operação fraudulenta de investimento do tipo esquema em pirâmide que envolve o pagamento de rendimentos anormalmente altos (“lucros”) aos investidores, à custa do dinheiro pago pelos investidores que chegarem posteriormente, em vez da receita gerada por qualquer negócio real”

Podemos perceber que existem algumas características comuns em todos os esquemas de pirâmide, quais sejam: Promessa de lucro alto, necessidade constante de novos entrantes no esquema e inexistência de uma negócio real.

Mas existem mais características, vajamos:

  • Promessa de altos rendimentos a curto prazo.
  • Obtenção de rendimentos financeiros que não estão bem documentados.
  • Dirigido a um público não financeiramente esclarecido.
  • Um único promotor ou uma única empresa.
  • Falta de Produto a ser consumido ou então um produto que é vendido a um preço muito maior que o preço de mercado. Porém a venda do produto é algo secundário, já que o mais importante é recrutar novas pessoas.
  • Movimentação apenas de dinheiro.
  • Nenhum vinculo com Leis Trabalhistas e de Arrecadação de Impostos Federais. Em geral, os participantes acabam “pagando para trabalhar”

Será que o Bitcoin é piramide, se encaixando nas características acima?

Que tal testarmos?

1. O Bitcoin PROMETE rendimentos elevados a curto prazo?

Não, o Bitcoin não promete retorno algum, apesar de vir recentemente se apreciando de forma assustadora. O fato de ter apresentado rentabilidades de 400% em 2017 não garante que daqui a um minuto seu preço desabe.

Nesse sentido o Bitcoin funciona como uma moeda, seu preço é livre e flutua sem a intervenção de qualquer instituição controladora ou reguladora, sendo definido pela velha lei de mercado, assim como o Real ou o Dólar.

Verdadeiros esquemas de pirâmide garantem rentabilidades para o seu aporte inicial, como retornos de 50% ao mês, ou ainda mais agressivos.

Deste modo, podemos afirmar com tranquilidade que a regra número 1 não se aplica ao Bitcoin.

2. O Bitcoin oferece rendimentos financeiros mal documentados?

O Bitcoin não oferece qualquer rendimento financeiro, não é um negócio, muito menos uma aplicação financeira, de modo que não oferece retorno ou taxa de juros.

Como já afirmei, o Bitcoin é uma moeda cujo valor depende apenas dos agentes de mercado, demanda x oferta.

3. Dirigido a um público financeiramente não esclarecido?

Mais uma vez a regra não se aplica, pois o bitcoin é dirigido a investidores mais arrojados e para utilização na internet, como a compra de mercadorias on-line ou apostas em sites.

Não se trata de um produto financeiro para investidores inexperientes, muito pelo contrário, é preciso ser bem esclarecido e ter habilidades com informática para adquirir este tipo de ativo.

4. Um único promotor ou empresa?

Também não, pois o Bitcoin não é controlado por uma empresa ou pessoa, ele é um sistema distribuído e de código aberto. Deste modo, não há um único controlador; existem diversos agentes que atuam neste mercado, como os usuários e exchanges.

5. Falta de Produto a ser consumido ou então um produto que é vendido a um preço muito maior que o preço de mercado. Porém a venda do produto é algo secundário, já que o mais importante é recrutar novas pessoas.

É a típica estratégia de venda a distribuidores do Marketing Multinível que, mais uma vez, não se aplica ao Bitcoin.

Não há incentivo ao cadastramento de novos vendedores com compras de estoques iniciais como se vê nos típicos esquemas de Marketing Multinivel (MMN), o usuário do Bitcoin não é estimulado ou recompensado por trazer novos usuários, de modo que não se enquadra também nesta característica.

6. Movimentação apenas de dinheiro.

Um negócio deveria movimentar dinheiro e mercadorias, mas como já vimos, a mercadoria no bitcoin é a própria moeda, num constante câmbio entre moedas FIAT e o Bitcoin.

7. Nenhum vinculo com Leis Trabalhistas e de Arrecadação de Impostos Federais. Em geral, os participantes acabam “pagando para trabalhar”

Bitcoin não é trabalho, não remunera, é um ativo digital. Quem o compra não o faz por estar numa relação trabalhista, trata-se apenas de um negócio entre moeda e Bitcoin. Não há remuneração, é apenas uma troca entre Reais ou Dólares por Bitcoins.

Conclusão:

A despeito do que afirma o Presidente do BACEN, o Bitcoin não é um esquema ponzi, isso é claro e transparente!

É de se admirar que uma autoridade monetária desconheça o revolucionário projeto que é o Bitcoin. Trata-se da mais excitante invenção financeira desde o papel moeda criado na China há séculos atrás.

Na verdade, é possível que essa declaração seja intencional, para descredibilizar uma tecnologia que vem avançando a passos largos e ameaçando o papel de instituições estatais como os bancos centrais. Além disso, as criptomoedas podem minar o poder e relevância de instituições bancárias privadas, transferindo recursos do sistema financeiro tradicional para o mercado de moedas digitais independentes.

É menos dinheiro nas mãos dos bancos para emprestar a juros predatórios, além da diminuição da alavancagem e das receitas com taxas de transação dos correntistas.

Empresas de cartão de crédito, como a MasterCard também vêm atacando as criptomoedas, afirmando que o Bitcoin é pirâmide ou uma bolha, mas isso não é uma novidade, afinal, eles são diretamente ameaçados por este tipo de tecnologia.

Imaginem quanto a Visa e a MasterCard arrecadam com taxas de transações em seus cartões de crédito, quanto os bancos ganham com aluguéis de máquinas e taxas de cartão de crédito.

Já parou para pensar no mercado de antecipação de recebíveis, com aquelas taxas abusivas de 3% ao mês?

É muita grana!

Então, caro leitor, abra os olhos, tire suas próprias conclusões!

Sinceramente não sei dizer se o Bitcoin é uma bolha, essa é uma pergunta muito complexa!

Mas se o Bitcoin é pirâmide, definitivamente posso afirmar que não!

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Victorio Amoedo

www.victorioamoedo.com

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