Qual a melhor opção, PGBL ou Tesouro Direto?

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Qual a melhor opção, Tesouro Direto ou o PGBL?

Vejo muita discussão acerca do tema, mas a verdade é que pouca gente para realmente para analisar a questão na ponta do lápis.

Um dos erros cognitivos mais comuns dos investidores é montar verdadeiras “contas de chegada” para justificar suas crenças ou práticas. Este comportamento é muito comum, afinal, sabemos que os agentes econômicos não são tão racionais assim, e é isso que torna a economia uma ciência tão desafiadora.

De pronto aviso categoricamente que quem não é tributado pelo IRPF na modalidade completa da Declaração de Imposto de Renda já pode descartar de forma absoluta o PGBL, uma vez que não poderá se aproveitar da principal vantagem deste tipo de produto, a dedução do valor aplicado no Imposto de Renda com a consequente restituição do imposto proporcional.

Mas se você for optante pela modalidade completa do IRPF, essa conta fica um pouco mais difícil, dada a inegável vantagem da restituição de 27,5% possibilitada por este tipo de investimento.

Imaginem a hipótese de que em dezembro do ano X o investidor Paulo tenha feito um aporte de R$10.000,00 num produto de PGBL com taxa de carregamento de 3% e taxa de administração de 1,5%.

Após o depósito, R$9.700,00 serão adicionados na sua conta, descontada a taxa de carregamento, e a cada exercício 1,5% do total investido (principal + juros acumulados) serão descontados a título de taxa de administração.

Do ponto de vista tributário, em abril do exercício seguinte o investidor poderá declarar como Pagamento de Plano de Previdência Privada o valor de R$ 10.000,00, que resultará, isoladamente, em uma restituição ou saldo a compensar com tributo devido de R$ 2.750,00. De modo que, de fato, o investidor terá gasto R$ 7.250,00 para poupar R$ 10.000,00.

As vantagens não param por ai, a tributação dos rendimentos também será incentivada por uma tabela especial diferida e regressiva. Além de não se submeter ao regime do come cotas, que a cada semestre cobra o IR devido sobre os rendimentos do período, aumentando a rentabilidade do investimento com o diferimento da cobrança do IRPF, a tributação desses rendimentos poderá ser submetida a uma alíquota diferenciada de 10% em caso de prazo de aplicação superior a 10 anos (normal para aposentadorias).

Tabela PGBL (Foto: Icatu Seguros)

Realmente são muitas vantagens, mas será que realmente é melhor que o Tesouro Direto?

PGBL X Tesouro Direto

Bom, vamos utilizar como parâmetro de referência nessa comparação o Título IPCA + 2035, por ser o título mais adequado e indicado para o objetivo aposentadoria. Ao mesmo tempo em que protege o investimento do risco inflacionário, esse tipo de título ainda garante rentabilidade real, mitigando a possibilidade de defasagem em prazos mais alongados, como os utilizados para planos de aposentadoria.

O ponto forte desse produto é a proteção inflacionária e a previsibilidade do ganho real, algo que não é oferecido pelos planos PGBL, por serem, via de regra, produtos do tipo pósfixados.

Outra vantagem do TD é o menor prazo de carência para a tributação à alíquota mínima de 15%, que é aplicável a partir de 721 dias da data do investimento. Pode parecer uma bobagem, mas está estatisticamente provado que mais de 80% dos investidores de planos de PGBL acabam resgatando seu plano de aposentadoria antes da data programada, sendo tributados a alíquotas de 35% ou 30%, transformando o PGBL numa péssima opção para quem não cumpre com o prazo planejado de resgate.

Mas o grande diferencial do TD em relação ao PGBL é mesmo a rentabilidade!

Via de regra, o PGBL tem sua rentabilidade atrelada a um percentual do CDI, variando em função da opção do investidor pelo tipo de lastro, ou seja, se há participação de renda variável, ou se a rentabilidade será 100% renda fixa. Enquanto isso, no TD teremos uma rentabilidade indexada ao IPCA adicionada de um componente prefixado, como indicador de rentabilidade real.

De 2011 a 2015, o IPCA médio do período foi de 7,06%, que somado à rentabilidade média real do Título IPCA + 2035, para o mesmo período, de 5,69%, totaliza uma rentabilidade na curva média de 12,75% ao ano para o TD. Já para o PGBL, considerando o mesmo período de 2011 a 2015, foi apurada uma rentabilidade média, para o melhor produto do mercado, de 9,49% ao ano, líquida da taxa de administração.

Temos uma diferença de 34,36% na rentabilidade em favor do TD na média dos últimos cinco anos! Mas a pergunta é: será que isso compensa a desvantagem tributária do TD em relação ao PGBL?

Resposta é sim, e olhe que realizei a conta considerando que o PGBL estava isento de taxa de carregamento (que costuma variar de 1 a 3% de cada aporte) e sem taxa de performance. A taxa de administração também foi considerada na rentabilidade, que é líquida.

Numa simulação para o período de 30 anos, com aportes mensais de R$ 500,00, o TD chegou a um montante líquido do IR de R$ 1,449 milhões, enquanto que o melhor PGBL do mercado brasileiro, isento de taxa de carregamento, entregou um montante final líquido do IRPF de R$ 1,132 milhões.

Trata-se de uma diferença de 28% favorável ao TD em termos relativos, em termos nominais são R$ 317.599,78 a mais para o Tesouro Direto. E isso sem considerar alguns “upsides” favoráveis ao TD, como a taxa prefixada em um mercado com tendência de longo prazo de queda nos juros reais.

Reitero, ainda, que 90% dos produtos de PGBL disponíveis no mercado entregam rentabilidade muito inferior ao produto utilizado para fins de comparação nesse estudo. Também é comum taxas de administração elevadíssimas, que podem alcançar os 6% ao ano, e taxas de carregamento de até 3% por aporte.

A mais nociva de todas é a taxa de administração, que pode ter um efeito global superior a 20% de todo montante acumulado. Isso mesmo, ela reduz o seu montante final em aproximadamente 20%, tendo um efeito muito mais relevante que a taxa de carregamento, que na pior das hipóteses representaria 3% de todo o principal investido.

É claro que o PGBL possui algumas outras vantagens, como a possibilidade de planejamento sucessório, sem a incidência do ITCDM, entre outras características. Mas a vantagem do Tesouro é muito acentuada, superando em muito a previdência privada.

Lembro, ainda, que notícias apontam que a isenção do ITCMD está sendo reavaliada pelo governo, de modo que o mais prudente é não contar com ela!

Dito tudo isso, caro leitor, posso afirmar que o Tesouro Direto é mais vantajoso que o PGBL! De modo que a suspeita de que os bancos haviam se apropriado das vantagens oferecidas pelo governo para investimentos de natureza previdenciária se mostra verdadeira!

Vale a pena reavaliar seu plano de PGBL, se ele não estiver performando bem é hora de mudar!

Não vacile, assuma o controle dos seus investimentos e acelere o seu plano de aposentadoria com a ajuda dos títulos públicos.

Se você não concorda com minhas conclusões, escreva para mim ou deixe um comentário aqui em baixo!

Se você quer aprender a investir no Tesouro clique aqui!  Eu tenho um presente para você!

Um abraço,

Victório Amoedo

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